Cinema Brasileiro no final do século XX - Ismail Xavier e Leandro Saraiva

Cinema Brasileiro no final do século XX - Ismail Xavier e Leandro Saraiva

"No início dos anos 1970, a ditadura militar impunha forte censura aos espetáculos, mas o governo, em função do nacionalismo, buscava um desenho institucional que estabilizasse a produção de cinema: regras para o comércio e uma política de produção que envolvesse participação maior do Estado. A Embrafilme, empresa estatal criada em 1969 para cuidar da distribuição, foi alterando seu formato e função até que em 1974-1975, já no governo Geisel, assumiu a condição de agência forte de distribuição e de financiamento da produção. É o momento da "abertura política", e os setores oficiais, descontentes com o avanço da comédia erótica no mercado, dialogam com o grupo do Cinema Novo, preocupado então com a continuidade da produção e com a reação do público. A gestão Roberto Farias na Embrafilme (1974-1978) expressou este diálogo, mas o projeto de conquista de mercado teve seus problemas, em parte porque os cineastas mantiveram a sua postura de defesa do cinema de autor em todo o "período embrafilme" (anos 1970 e 1980 até a posse de Collor que extinguiu a empresa). O cinema de 1974 a 1990 foi conduzido mais pelo espírito de cineastas-autores do que por produtoras, realidade que se tem mantido, apesar de mudanças no modelo produtivo. Hoje, não há mais a empresa estatal financiadora direta, mas a Lei do Audiovisual (1994) define um sistema de renúncia fiscal pelo qual  o governo viabiliza a produção, facultando às empresas aplicar, nos filmes que desejam, parcela do imposto que devem. Após alguns anos de vigência desta lei, vive-se, em 2001, um momento de discussão institucional. O ambiente é menos polêmico e há menor incidência de "questões maiores" - como um projeto de nação - no debate cinematográfico. Mas tudo confirma o que os últimos trinta anos mostraram: é o Estado que viabiliza o cinema, condição que o Brasil partilha com quase todos os países, inclusive da Europa. Se o cinema brasileiro alcançou altos patamares de criação em seus melhores momentos, permaneceu frágil no desempenho econômico, com exceção do período Embrafilme, quando chegou a 35% do mercado, em 1979, para decair nos anos 1980 até o colapso de 1990; na retomada, alcançou 2000, cerca de 10%. Estes são dados importantes para a consideração do perfil do cinema brasileiro de longa-metragem traçado a seguir."

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